Síndrome do intestino irritável: entenda melhor a SII e sua relação com outras patologias gastrintestinais

Sindrome do Intestino Irritável

Distensão abdominal, sensação de estufamento, diarreias alternadas com intestino preso e episódios de cólicas são sintomas corriqueiros para muitas pessoas e, apesar de parecerem inofensivos, podem estar associados à Síndrome do Intestino Irritável (SII).

A SII é caracterizada por um conjunto de sintomas gastrointestinais crônicos ou recorrentes, os quais não são associados a lesões ou qualquer outra alteração estrutural do intestino. Pela falta de lesões ou exames bioquímicos que comprovem essa disfunção, seu diagnóstico é feito principalmente pela exclusão de desordens que apresentem sintomas muito parecidos como diverticulites, câncer de cólon, diarreia infecciosa, infecção parasitária, doença celíaca, intolerância à lactose, entre outras.

Diagnóstico, Sinais e Sintomas

Inicialmente, o diagnóstico é realizado a partir dos Critérios de Roma III, de acordo com o Quadro 1 abaixo:

Quadro 1 – Critérios de Roma III
Dor ou desconforto abdominal associados a dois ou mais dos seguintes achados:
– Melhora com a defecação
– Início associado com alteração na frequência de evacuações (diarreia/constipação)
– Início associado com alteração na forma das fezes

Outros sinais e sintomas também têm sido apontados como elementos de reforço para o diagnóstico da SII, tais como: esforço excessivo durante a evacuação; urgência para defecar; sensação de evacuação incompleta; eliminação de muco nas fezes; distensão abdominal; além de quadros de ansiedade ou depressão.

Principais causas

A causa inicial da SII ainda é incerta e pouco esclarecida, mas acredita-se que, essencialmente, alterações nos movimentos do intestino (motilidade intestinal) estejam envolvidas. Dentre os fatores causais que já foram identificados, os mais comuns são: crescimento aumentado de bactérias maléficas, fungos e parasitas no intestino (disbiose intestinal), estresse, alimentação inadequada, alergias e intolerâncias alimentares – principalmente intolerância à lactose, produção enzimática insuficiente, além de irregularidades na secreção de hormônios intestinais responsáveis pela sua motilidade. Como não existe uma causa específica, é essencial identificar as causas para cada indivíduo e trabalhá-las de acordo com a sua individualidade bioquímica.

Tratamento

O tratamento da Síndrome do Intestino Irritável dependerá de quais fatores causais provocam os sintomas no indivíduo, mas na maioria dos casos, uma melhor compreensão da Síndrome e mudanças alimentares são suficientes para reduzir os sintomas.

Há evidências de que mais de 50% dos pacientes com SII possuem hipersensibilidades alimentares tardias, isto é, elas podem ter reações a determinados alimentos após algumas horas ou até alguns dias após sua ingestão. Diante disso, recomenda-se identificar e eliminar esses alimentos da alimentação ou diminuir a frequência do seu consumo. Entre os alimentos mais associados à SII estão: leite e derivados, trigo, milho, café, frutas cítricas e chocolate.

Pesquisadores da Monash Univeristy, da Austrália, desenvolveram uma pesquisa, inicialmente publicada em 2005, que propunha uma dieta com redução de diversos alimentos que possuem alto teor de carboidratos de difícil digestão. A partir desses estudos, o termo FODMAP foi criado para referir-se a este grupo de carboidratos. A equipe avançou seus estudos para desenvolver o que é chamado de Dieta de Baixo FODMAPs.

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Como a disbiose intestinal pode ser uma das causas da SII, a suplementação com probióticos e glutamina tem se mostrado eficiente na melhora dos sintomas. Além disso, o aumento do consumo de fibras também é recomendado, seja através da maior ingestão de frutas, vegetais e cereais integrais ou com o uso de suplementos, como psyllium, plântago, pectina e farelo de arroz; sempre adicionadas de maneira gradual para evitar uma maior distensão abdominal e produção de gases.

A suplementação de ácidos graxos ômega 3 e 6 também tem se demonstrado benéfica, já que esses compostos auxiliam na lubrificação do trato digestivo e contribuem para a redução da dor.

Recomenda-se também o uso de gengibre e ervas como camomila, melissa, valeriana e alecrim na forma de chás ou cápsulas, já que aumentam a liberação de gases e estimulam o tônus do estômago, reduzindo a dor.

Além destas medidas nutricionais, os indivíduos com SII também se beneficiam com técnicas de relaxamento e modificação do seu estilo de vida, o que os auxilia a lidar com as situações do dia-a-dia com menor estresse.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Sobre a autora:
Dra. Daniele Pagliarini Silva, Nutricionista graduada pela Universidade Federal de Santa Catarina. Cursando Pós-Graduação latu sensu em Nutrição Clínica Funcional pela VP Consultoria Nutricional/Divisão Ensino e Pesquisa. Atendimento nutricional em consultório.

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