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VI Encontro Estadual de Celíacos do RJ

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Em encontro realizado em fevereiro, celíacos, familiares e profissionais da saúde reunem-se para debater sobre as ações realizadas pelas ACELBRAS, compartilhar informações e aprender mais sobre a culinária sem glúten. Juliana Crucinscky, nutricionista e consultora técnica do Semlactose (também celíaca e intolerante à lactose), esteve presente para conferir de perto as novidades que nos conta nesta matéria.

O evento ocorreu no último dia 12 através de uma parceria com o INAD – Instituto de Nutrição Annes Dias e a ACELBRA-RJ. Após uma breve apresentação, foi realizada uma oficina de culinária sem glúten, organizada pela vice-diretora da ACELBRA-RJ, Raquel Benati e por sua irmã, Ester Benati, na qual o destaque foi a mandioca (aipim). As receitas que preparamos no evento, passo a vocês ao final deste post.

Após a oficina, foram realizadas palestras com a Presidente da ACELBRA-RJ, Míriam Francisca e com a jornalista Teresa Gappo, Diretora de Comunicação da ACELBRA-RJ, sobre Controle Social e sobre todas as conquistas obtidas pela Acelbra-RJ em favor dos celíacos.

Saiba mais sobre a Doença Celíaca e sua relação com a IL

A Doença Celíaca, uma importante causa secundária de IL, é uma intolerância permanente ao glúten (proteína presente no trigo, no centeio, na cevada, no malte e na aveia), na qual o organismo geneticamente predisposto passa a produzir anticorpos contra o glúten, que agridem o próprio organismo. A DC pode se manifestar em qualquer idade e ainda, infelizmente, é pouco diagnosticada, não sendo tão rara como se pensava há alguns anos atrás. Segundo a Dra. Lorete Kotze, acredita-se que o número de casos não diagnosticados seja muito maior que os já detectados justamente porque seus sintomas podem facilmente se confundir com os de outras doenças, o que dificulta e atrasa o diagnóstico. Além disso, muitas pessoas celíacas apresentam sintomas pouco comuns (forma oligossintomática) ou sequer apresentam sintomas (forma assintomática), apesar de seu intestino estar sendo lesionado da mesma forma.

Sintomas

Os sintomas da DC podem incluir: diarréia crônica (com vários dias de duração) ou prisão de ventre, falta de apetite, vômitos, distensão abdominal (barriga inchada), aftas, dor abdominal, flatulência (excesso de gases), anemia, deficiência de ácido fólico e vitamina B12, enxaqueca, osteopenia e osteoporose, perda de peso ou obesidade, cansaço e mal-estar, atrasos no crescimento e desenvolvimento das crianças, déficit de atenção, perda de massa muscular, intestino irritável, hipoproteinemia (deficiência de proteína e inchaço generalizado), alterações de humor, infertilidade, neuropatia periférica e aumento das enzimas do fígado (transaminases hepáticas), rashes cutâneos, etc.

DC e IL

A intolerância à lactose pode ocorrer como uma consequência da doença celíaca em casos em que o paciente ainda não diagnosticado apresenta atrofia das vilosidades do intestino. Em função desta atrofia, a enzima lactase para de ser produzida pelo organismo e o paciente acaba sofrendo os sintomas da intolerância à lactose sem saber que, na verdade, esses sintomas podem ser decorrentes da doença celíaca. A vantagem é que nesses casos a IL é reversível.

Na DC, a presença de anticorpos contra o glúten, pode se expressar de diferentes formas e afetar diversos órgãos ou sistemas:
1)Enteropatia ou lesão intestinal (doença celíaca), na qual ocorre inflamação do intestino delgado e atrofia das vilosidades, responsáveis pela absorção dos nutrientes.
2)Danos na mucosa oral (estomatite aftosa de repetição);
3)Danos nas articulações (artrites);
4)Danos nos rins (nefropatia por IgA)
5)dermatite herpetiforme ( lesões bolhosas na pele )

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico da DC é feito a partir da dosagem dos anticorpos séricos (antigliadina, antiendomísio e antitransglutaminase), de endoscopia digestiva e biópsia do intestino, e por testes genéticos (dosagem dos antígenos do sistema HLA – frações DQ2/DQ8).

O único tratamento existente até o momento é a dieta totalmente isenta de glúten, e para tanto, é necessário excluir não só o “glúten evidente” (os alimentos que sabidamente contém glúten: trigo, centeio, cevada, aveia e malte), mas também os alimentos contaminados com glúten, como os produtos processados e/ou embalados no mesmo local e/ou maquinário por onde passam produtos contendo glúten.

Entretanto, é IMPORTANTÍSSIMO lembrar que a dieta isenta de glúten JAMAIS deverá ser feita ANTES da confirmação do diagnóstico, pois a medida que o glúten é retirado da alimentação, a quantidade de anticorpos presentes no sangue diminui, dificultando sua dosagem nos exames, o que de forma alguma deve ser interpretado como cura da DC. Também é importante lembrar que mesmo após a remissão total dos sintomas e recuperação da mucosa intestinal, a DC continua presente no organismo (apesar de controlada) e a ingestão de glúten precisa continuar sendo evitada, sob pena de piora do quadro!

Abaixo você encontra 2 receitas que preparamos no evento. Ambas são isentas de glúten, lactose e proteína láctea, e tem como base a mandioca.

Bolo de mandioca da tia Iris

INGREDIENTES

  • 3 xícaras de mandioca crua
  • 3 ovos (retirar a pele da gema)
  • 1 ½ xícara de açúcar
  • 3 colheres de sopa de fermento em pó
  • 1 pitada de sal

PREPARO

Rale a mandioca e esprema com as mãos até sair todo o líquido. Misture todos os ingredientes e coloque numa forma untada. Pré-aqueça o forno e asse em temperatura média, por 30 a 40 minutos (até dourar).

Tapioca tradicional

INGREDIENTES

  • 500g de polvilho doce
  • água suficiente para cobrir
  • sal a gosto

PREPARO

Coloque o polvilho numa tigela grande e cubra com água até pelo menos 2 dedos acima da massa. Deixe de um dia para o outro em repouso, para dissolver bem. Após, seque com a ajuda de um pano limpo, sem deixar excesso de água. Esfarele essa massa com as mãos, passe por uma peneira e acrescente um pouco de sal. Numa frigideira anti-aderente, espalhe a farinha e modele a tapioca como uma panqueca, no fundo da frigideira. O segredo é deixar a frigideira ficar bem quente antes de colocar a massa, e depois abaixe o fogo para não queimar.
O ponto da tapioca é bastante rápido, assim que desgrudar do fundo da frigideira, vire-a por alguns segundos e estará pronta. A massa tem que secar na frigideira, sem fritar. Não deixe escurecer nem endurecer. Recheie a gosto com goiabada, doce de coco, carne de sol com abóbora, queijo sem lactose, presunto ou mesmo só com manteiga.

Veja mais imagens do evento clicando em nossa galeria do Flickr.

Fonte das informações:
http://www.riosemgluten.com/index.htm
http://www.riosemgluten.com/Lorete_Kotze_atualizacao_2006.pdf
http://www.riosemgluten.com/protocolo_de_DCeliaca.htm
http://www.riosemgluten.com/Guia_Orientador_para_Celiacos_2010.pdf
http://www.riosemgluten.com/Sou_celiaco_posso_comer_em_sua_casa_2011.pdf
http://www.riosemgluten.com/Crianca_Celiaca_indo_para_escola_2011.pdf

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Sobre o autor

Graduada pelo Instituto de Nutrição da UERJ, especialista em Nutrição Enteral e Parenteral pela Santa Casa de Misericórdia (RJ), especialista em Gestão da Saúde e Administração Hospitalar pela Universidade Estácio de Sá, em Nutrição Esportiva, pela Universidade Gama Filho.

1 Comentário

  1. rosyete silva on

    Achei sensacional pois tirei algumas duvidas e não sabia da existencia da DC. Graças a Deus a minha filha não tem alergia ao gluten. Ela tem só 02 anos e faço tratamento dela deste os 15 dias de nascida e tenho muita fé que fai ficar boa, pois ela tem a intolerância, alergia alimentar, refluxo e gastrite e achei otimo ler sobre este encontro.

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