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Para não trocar seis por meia dúzia

Apesar de serem uma boa alternativa para quem não pode consumir lactose, produtos à base de soja também merecem um pouco da nossa atenção.

É realmente um conforto saber que existem substitutos disponíveis no mercado para aqueles produtos que são riscados da lista de compras das pessoas com algum tipo de intolerância ao leite. Em sua grande maioria, esses iogurtes, cremes de leite, leites condensados e chocolates, tão comuns nas prateleiras dos supermercados, são feitos de soja. Mas até que ponto não estamos trocando seis por meia dúzia?

Nos últimos 10 anos, houve um boom de produtos à base de soja, em grande parte, devido ao aumento do número de pessoas com diagnóstico de intolerância à lactose ou de alergia à proteína do leite. Entre os anos 2000 e 2007, foram lançados somente nos Estados Unidos cerca de 2.700 novos produtos contendo a soja entre seus ingredientes.

A introdução de maneira tão rápida e intensiva de um alimento que tradicionalmente não faz parte da dieta ocidental pode trazer alguns impactos para a saúde dessas populações, desde alergias alimentares a disfunções hormonais.

Efeitos colaterais

É verdade que a proteína da soja tem valor semelhante à proteína animal e sem os problemas associados à gordura saturada presente nos alimentos de origem animal. Mas nem sempre conseguimos aproveitar tudo isso quando consumimos produtos como o leite de soja e a proteína texturizada (carne de soja).

O grão da soja tem uma proteína de difícil digestão. Para conseguir obter seus benefícios, precisamos do auxílio de algumas bactérias benéficas do nosso intestino. Sem esses microorganismos, a proteína da soja não é digerida e vira alimento de bactérias indesejáveis, produzindo toxinas, gases e desconforto intestinal.

Além disso, essa proteína mal digerida pode ser “interpretada” pelo sistema imunológico como um corpo estranho e desencadear um processo alérgico semelhante ao que ocorre com a alergia ao leite de vaca. Os sintomas, nesse caso, variam de dores de cabeça a inchaços e inflamações na pele ou em outros órgãos.

Outro problema do consumo excessivo de soja, embora os estudos nessa área ainda sejam pouco conclusivos, é o risco de afetar o funcionamento da tireóide, com redução da eficiência dos hormônios dessa glândula, levando ao hipotireoidismo e aos sintomas associados, como ganho de peso, cansaço, sonolência e prisão de ventre.

Direto da fonte

Nos países orientais, onde a soja é parte do hábito alimentar há milênios, o grão é fermentado – para fabricar o missô (pasta de soja) e o molho shoyo – ou coagulado para dar origem ao tofu (queijo de soja). Ou seja, esse processamento adianta o serviço das bactérias benéficas e transforma a soja em um alimento de mais fácil digestão, reduzindo o risco de alergias alimentares e efeitos adversos do consumo da soja.

Então ficam duas recomendações. Em primeiro lugar, abaixo a monotonia. Use produtos derivados da soja com moderação e procure variar os alimentos, pois essa é a melhor maneira de evitar qualquer alergia alimentar. E, quando usar produtos à base de soja, dê preferência aos fermentados (missô) e coagulados (tofu).

No próximo artigo, você confere a versatilidade do tofu em preparações doces e salgadas.

Nutricionista e jornalista, Maira realiza oficinas de culinária vegetariana, sem glúten e sem lactose, além de atender pacientes em seu consultório em Brasília, DF. "Desde 2004, quando me tornei vegetariana, tenho estudado a importância da alimentação na saúde e na qualidade de vida e procurado desenvolver receitas práticas e saborosas que apliquem esses conceitos. Para mim, cozinhar é um hobby delicioso e comer, um momento mais gostoso ainda." Maira é especialista em Nutrição Funcional e é autora do blog DaHora Culinária Vegetariana

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