Iogurte contém Lactose?

yogurt.jpgEssa é uma das dúvidas mais frequentes entre pessoas que buscam informações sobre alimentos sem lactose.

Respondendo à pergunta feita acima: sim, os iogurtes elaborados com leite de vaca, ovelha ou de outros animais, contêm lactose. No entanto, diversos estudos mostram  que os lactobacilos vivos, presentes em alguns iogurtes, reduzem o teor de lactose do alimento, tornando-o uma opção para pessoas com dificuldade de digerir a lactose.

Porém, um estudo realizado no Paraná em 2006* analisou amostras de leite de vaca e de iogurtes elaborados com lactobacilos vivos. A redução do teor de lactose apresentou-se bem menor do que o esperado. O leite bovino pasteurizado apresentava 4,11% de lactose e o iogurte elaborado a partir da fermentação desse leite apresentou 3,69%. Ou seja, uma redução de apenas 10,22% em relação à matéria-prima. Para fazermos um comparativo, os leites baixa lactose (com redução de 90% da lactose), contêm, em média, somente 0,40% de lactose. Segundo a autora do estudo, os iogurtes e leites fermentados podem chegar a uma redução de até 30% do teor original de lactose do leite. Já iogurtes elaborados com leite de ovelha podem conter até 50% de redução do teor de lactose.**

O ideal para consumo por pessoas com Intolerância à lactose é que a redução chegasse próximo aos 90%. Mesmo assim, se sua intolerância à lactose não é severa, vale a pena tentar incluir o iogurte e leites fermentados em sua dieta devido aos grandes benefícios que ele possui.

Um artigo publicado pela Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas em 2006 fala sobre iogurtes com probióticos e seus benefícios para a saúde. Veja abaixo um pequeno trecho deste estudo. O artigo completo está disponibilizado no link Probióticos e prebióticos: o estado da arte.

Os benefícios à saúde do hospedeiro atribuídos à ingestão de culturas probióticas que mais se destacam são: controle da microbiota intestinal; estabilização da microbiota intestinal após o uso de antibióticos; promoção da resistência gastrintestinal à colonização por patógenos; diminuição da população de patógenos através da produção de ácidos acético e lático, de bacteriocinas e de outros compostos antimicrobianos; promoção da digestão da lactose em indivíduos intolerantes à lactose; estimulação do sistema imune; alívio da constipação; aumento da absorção de minerais e produção de vitaminas. Embora ainda não comprovados, outros efeitos atribuídos a essas culturas são a diminuição do risco de câncer de cólon e de doença cardiovascular. São sugeridos, também, a diminuição das concentrações plasmáticas de colesterol, efeitos anti-hipertensivos, redução da atividade ulcerativa de Helicobacter pylori, controle da colite induzida por rotavirus e por Clostridium difficile, prevenção de infecções urogenitais, além de efeitos inibitórios sobre a mutagenicidade (Shah, Lankaputhra, 1997; Charteris et al., 1998; Jelen, Lutz, 1998; Klaenhammer, 2001; Kaur, Chopra, Saini, 2002; Tuohy et al., 2003).

Fonte: Probióticos e prebióticos: o estado da arte. Suzana Marta Isay Saad. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, vol.42 n.1, Jan-mar 2006.

*LONGO, Giovana. Influência da adição de lactase na produção de iogurtes. Curitiba, 2006.

**Casa da Ovelha – Bento Gonçalves, RS.

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