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Sobre a intolerância à lactose

O QUE É INTOLERÂNCIA À LACTOSE?

Intolerância à Lactose é o termo utilizado para pessoas que não conseguem digerir produtos lácteos (leite e seus derivados). Esta impossibilidade de digestão geralmente ocorre em pessoas que não produzem a enzima lactase ou produzem-na em quantidade insuficiente para realizar a digestão da lactose. A maioria das populações têm uma perda progressiva da capacidade de absorção da lactose que inicia-se após os primeiros anos de vida.

O QUE É LACTOSE E LACTASE?

A Lactose é o açucar do leite, um dissacarídeo que com a ação da enzima lactase, tranforma-se em dois monosacarídeos: glucose e galactose. Estes carbohidratos simples, após formados, são facilmente absorvidos pelo corpo. No entanto, a falta ou deficiência na produção da lactase faz com que a lactose chegue até o intestino delgado sem ser absorvida pelo organismo. Ela é fermentada por bactérias causando gases e sintomas típicos de indigestão.

QUAL É O TEOR DE LACTOSE EM UM COPO DE LEITE?

O leite de vaca, assim como todos os outros leites de origem animal, contém em média 5 gramas de lactose por cada 100 ml de leite. Assim, um copo de leite (250 ml) contém 12,5 g de lactose. O leite humano é o mais rico em lactose. Ele contém cerca de 7g de lactose por cada 100ml.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA INTOLERÂNCIA À LACTOSE?

Os sintomas mais comuns são a diarréia (ou à vezes constipação), distensão abdominal, gases, náusea e sintomas de má digestão. A severidade dos sintomas dependerá da quantidade de lactose ingerida assim como da quantidade de lactose que seu organismo tolera.

QUAIS SÃO OS TIPOS DE INTOLERÂNCIA À LACTOSE?

DEFICIÊNCIA PRIMÁRIA – Também chamada de Hipolactasia Primária, esta é a forma mais comum de intolerância à lactose, atingindo cerca de 75% da população mundial e variando de acordo com as diferentes etnias. Povos asiáticos e africanos apresentam os índices mais altos de intolerância deste carboidrato, ao passo que povos do norte europeu apresentam índices mais baixos. A Hipolactasia Primária é uma condição natural e permanente de grande parte da população mundial na fase adulta.

DEFICIÊNCIA SECUNDÁRIA – A intolerância à lactose pode ser uma deficiência na produção da enzima lactase decorrente de outras doenças como a doença celíaca, doença de Chron, diarreias, síndrome do intestino irritável, alergia às proteínas do leite de vaca, entre outras. Neste caso, a intolerância à lactose é reversível quando tratada a doença primária.

DEFICIÊNCIA CONGÊNITA – A IL Congênita é hereditária e uma condição muito grave. O bebê já nasce sem a produção da enzima lactase, necessária para fazer a digestão do leite materno (que contém grande quantidade de lactose). Se diagnosticada precocemente, o bebê poderá levar uma vida normal a partir da exclusão completa da lactose de sua dieta. Felizmente essa é uma condição rara.

QUAIS SÃO OS TIPOS DE EXAMES EXISTENTES?

1. Tolerância à lactose: a lactose depois de digerida produz duas moléculas: a glicose e a galactose. Para fazer este teste o paciente ingere em jejum um líquido com dose concentrada de lactose e durante duas horas obtém-se várias amostras de sangue para medir o nível de glicose, que reflete a digestão do açúcar do leite. Se a lactose não é quebrada, o nível de glicose no sangue não aumentará e, conseqüentemente, o diagnóstico de intolerância à lactose será confirmado. Este exame não é indicado para crianças pequenas.

2. Hidrogênio expirado: (em inglês, Hidrogen Breath Test). Este exame mede a quantidade de hidrogênio excretado pelos pulmões, que em situações normais é bem pequena. O quadro é diferente quando as bactérias do intestino delgado fermentam a lactose (que não foi digerida) e produzem vários gases, incluindo o hidrogênio, que por sua vez é absorvido e ao chegar aos pulmões e é expirado. Para fazer o exame, o paciente ingere uma solução de lactose e o hidrogênio expirado é medido em intervalos regulares. Níveis elevados de hidrogênio indicam uma digestão inadequada da lactose. Saiba+

3. Deposição de ácidos : trata-se de um exame indicado tanto para crianças pequenas como para crianças maiores. A lactose não digerida é fermentada pelas bactérias do intestino grosso e produzem ácido láctico e ácidos graxos de cadeias curtas e ambos podem ser detectados em uma amostra de deposição.

4. Exame Genético: este é um exame novo, que promete ser a melhor forma de diagnosticar a intolerância à lactose pois é rápido e não produz sintomas desagradáveis como no caso do exame de ingestão de lactose. Neste exame o paciente retira uma pequena amostra de sangue e seu DNA é estudado para verificar se há mutação em relação à produção da enzima lactase. O resultado sai em 5 dias. Saiba +

COMO TRATAR A INTOLERÂNCIA À LACTOSE

Não existe cura para a Hipolactasia Primária, mas é possível tratar os sintomas limitando, ou em alguns casos, evitando produtos com leite ou derivados. Grande parte da população com IL consegue ingerir leites deslactosados e outros produtos com baixo teor de lactose sem sentir os sintomas da intolerância à lactose. Com o passar do tempo e uma adaptação aos hábitos alimentares, cada pessoa pessoa aprenderá sobre quais alimentos lácteos poderá ingerir sem ter sintomas indesejáveis.

Uma outra opção bastante comum é o uso de cápsulas de lactase, um suplemento alimentar que auxilia na digestão da lactose. Saiba +

REPOSIÇÃO DE CÁLCIO E VITAMINA D

Uma das maiores preocupações para pessoas com intolerância à lactose é adotar uma dieta que suplemente os nutrientes encontrados no leite, principalmente o cálcio. Cerca de 70% do cálcio da alimentação humana vêm do leite e seus derivados. Por esta razão, é importante, na medida do possível, manter uma dieta com ingestão de pelo menos alguns alimentos lácteos, mantendo uma quantidade que seja bem tolerada pelo seu organismo. Além disso, a vitamina D possui papel fundamental na absorção de cálcio. Por isso, é importante a orientação de um nutricionista para auxiliá-lo na readequação de seus hábitos alimentares. Saiba +

Referências:

Tulla H. Lactose Intolerance. Journal of the American College of Nutrition, Vol. 19, No. 2, 165S–175S (2000)

International Foundation for Functional Gastrointestinal Disorders – www.iffgd.org

MATTAR, Rejane. MAZO, Daniel. Intolerância à lactose: mudanças de paradigmas com a biologia molecular. Revista da Associação Médica Brasileira, 2010; 56(2): 230-6.